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CRedit – Taxonomia para Contribuição de Autores

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Este conteúdo aborda a contribuição individual de cada autor numa produção científica, apresentando como opção uma metodologia denominada Contributor Roles Taxonomy” (CRedit). Além disso, são abordadas formas de implementar na prática numa revista assim como no contexto da marcação SciELO Portugal.

O que é?

Atualmente há um interesse maior para todos os atores da investigação científica, nomeadamente, os investigadores, agências de financiamento, instituições académicas e editores, para que se identifique a contribuição individual de cada ator na produção científica, isto é, quem fez o quê. 

Alguns editores já exigem que os autores submetam juntamente com o artigo, uma declaração da contribuição de cada autor. Por outro lado, existe a metodologia denominada Contributor Roles Taxonomy (CRedit) que tem sido adotada para atribuição de contribuições, vinculando-as aos metadados do artigo e a um identificador persistente do autor (ex: ORCID).

A taxonomia CRedit surgiu por se considerar que a maioria das convenções sobre a contribuição individual dos autores não representa a variedade de funções que os investigadores têm para os artigos. Desta forma, CRedit é uma taxonomia, que pode representar a contribuição de cada autor em 14 funções específicas. As 14 funções são as seguintes:

1- Concetualização: ideias, formulação ou evolução de objetivos e metas abrangentes da investigação;

2- Curadoria dos dados: atividades de gestão no que respeita à produção de metadados, limpeza e manutenção de dados de pesquisa (incluindo código de software) para utilização inicial e reutilização;

3- Análise formal: aplicação de técnicas estatísticas, matemáticas, computacionais ou outras técnicas formais para analisar ou sintetizar os dados do estudo;

4- Aquisição de financiamento: aquisição de apoio financeiro ao projeto;

5- Investigação: realização de um processo de investigação, executando especificamente as experiências e a recolha de dados/evidências;

6- Metodologia: desenvolvimento ou desenho da metodologia e/ou criação de modelos;

7- Administração do projeto: responsabilidade de gestão e coordenação pelo planeamento e execução das atividades de investigação;

8- Recursos: fornecimento de materiais de estudo, materiais, amostras de laboratório, instrumentos, recursos de computação ou outras ferramentas de análise;

9- Software: programação, desenvolvimento de software, conceção de programas de computador, implementação do código de computador e algoritmos de suporte, teste de componentes de código existentes;

10- Supervisão: responsabilidade de supervisão e liderança pelo planeamento e execução da atividade de investigação, incluindo orientação externa à equipa principal;

11- Validação: verificação, seja como parte da atividade ou separada, da replicabilidade geral dos resultados e das experiências e outros resultados de investigação;

12- Visualização: preparação, criação e/ou apresentação do trabalho publicado;

13- Redação do rascunho original: preparação, criação e/ou apresentação do trabalho publicado, redação específica do rascunho inicial (incluindo tradução substantiva);

14- Redação – revisão e edição: preparação, criação e/ou apresentação do trabalho publicado por pessoas do grupo de pesquisa original, revisão crítica, comentário ou revisão, incluindo as etapas de pré ou pós-publicação.

Vantagens

A identificação do contributo de cada autor através do CRedit traz inúmeras vantagens, nomeadamente:

  1. apoia a adesão a políticas de autoria/contribuição;
  2. atribui maior transparência à investigação, em relação às funções e responsabilidades individuais dos autores;
  3. fornece visibilidade e reconhecimento para investigadores que trabalham em equipas de investigação grandes;
  4. apoia a investigação e a avaliação do investigador ao fornecer uma visão holística e diferenciada das contribuições dos investigadores;
  5. permite dar visibilidade e reconhecimento a diferentes tipos de contribuição em todos os aspetos da investigação, particularmente em trabalhos com vários autores;
  6. apoia a identificação de revisores e de conhecimentos específicos;
  7. permite que os financiadores identifiquem com mais facilidade os responsáveis por produtos, desenvolvimentos ou descobertas específicas;
  8. melhora a capacidade de rastrear os resultados e as contribuições de especialistas;
  9. permite a identificação de potenciais colaboradores e oportunidades para redes de investigação;
  10. ativa novos indicadores do valor da investigação, uso e reutilização, crédito e atribuição.

Como implementar?

Qual será a melhor forma de identificar a contribuição individual de cada autor? Um parágrafo descritivo, uma declaração estruturada, a utilização de percentagens ou de pontos, ou através de outras formas? E para esta identificação será necessária a utilização de serviços ou sistemas? E que funções poderemos considerar?

Independentemente do que se decidir, é necessário ter em conta a importância de combinar as contribuições com identificadores persistentes de autores (por exemplo, ORCID), já que possibilita vincular os dados do autor com as suas publicações, capturar as contribuições do autor nos metadados da revista e rastrear e recuperar as contribuições de autoria de um investigador através das suas publicações e através do tempo.

A partir do momento em que uma revista adota como política a declaração de contribuição de autores, deve informar nas suas instruções aos autores para que os trabalhos sejam submetidos com essa informação introduzida.

O que a iniciativa CRediT pretende implementar é uma forma universal de definir o tipo de colaboração de cada ator (através das 14 funcões), e tornar isso parte integrante do trabalho científico, tal como outros elementos (Referências, afiliações, identificadores de autor, palavras-chave, etc…). Deste modo, a contribuição de cada autor não fica num documento administrativo interno, mas sim público e alvo de análise. Esta análise pode ser efetuada pelos leitores, mas também por outros sistemas como o caso do SciELO ou até na marcação JATS-XML, permitindo análises automatizadas.

São usuais duas práticas no contexto das revistas que implementaram esta taxonomia:

  • Integrado na informação do autor e afiliação
  • Nota Descritiva – ou seja um parágrafo com a designação das funções e de quais os colaboradores que participaram.
Exemplo de Integração dos papéis na autoria (retirado de: https://journals.plos.org/plosone/article/authors?id=10.1371/journal.pone.0262412)

Casos Particulares

Há casos particulares que as revistas podem decidir, mas que devem manter a coerência, que é o caso de quando um trabalho tem apenas um autor e quando se trata de uma nota introdutória, por exemplo. Se a revista decidir que em todos os trabalhos deve constar a declaração de contribuição de autores, independentemente do número de autores, deve verificar se essa informação consta no trabalho quando submetido. Esta informação deve estar explícita nas instruções aos autores. 

Implementação na marcação SciELO

As revistas que implementam a declaração de contribuição de autores para corresponder aos critérios do SciELO Portugal podem adotar uma de duas formas:

  • Colocar a informação a seguir ao nome do autor e marcar a informação como “role”. 

Exemplo: Carlos Soares Concetualização 1 https://orcid.org/0000-0002-4324-3729

  • Colocar a informação como forma de nota de rodapé, indicando no markup que é um tipo de nota relacionada com a contribuição de autor. 
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